sábado, 23 de abril de 2016

Justin Hayward (1ª parte)




Devo confessar que Justin Hayward é, desde a minha tenra adolescência, um dos meus favoritos. E sempre achei que tem sido um dos nomes esquecidos nas listas top que as revistas de especialidade  costumam elaborar, seguindo critérios pouco objetivos. Para mim e ele é um dos maiores cantores, compositores e guitarristas que conheço.

A história do inglês Justin sempre me fascinou: começou a tocar uma Gibson 335 aos 13 anos (até hoje, nunca mais a largou)  e, dois anos mais tarde, criava o seu próprio grupo.

Em 66, respondendo a um anúncio, foi contratado por um obscuro grupo, apesar de recém criado, estava já em franco declínio. No anuncio, procurava-se um guitarra solo e um baixista (a vaga  do baixista foi para John Lodge). Sob a influencia de Hayward e Lodge (passaram a ser os principais compositores) , este desconhecido grupo lança, em 67,   Days of future passed,  um marco na história do rock.

Este álbum, o primeiro álbum conceptual na história do rock ( “Uma jornada comum da existência humana, do nascer do dia ao pôr do sol”), é igualmente o primeiro que alia ao rock uma estrutura clássica na composição das suas músicas, e foi acompanhado por uma orquestra.  A par de excelentes canções, uma dela, de autoria de Hayward, revelou-se um dos maiores sucessos de todos os tempos.  Mas sobre ela, falamos no final deste texto.

Após o retumbante sucesso alcançado, no ano seguinte voltam a surpreender com o fantástico In search of the lost chord. Neste, a banda toca todos os 33 instrumentos, num “concept álbum” que aflora temas como a procura, a descoberta e a filosofia ao longo dos séculos.

Para mim, e apesar de ninguém ter perguntado a minha opinião, Every good boy desserves favor é o meu favorito. O álbum inicia-se com duas músicas que estão ligadas: a primeira, “Procession” ( co-escrita pela banda), pretende relatar a história da música desde os primórdios dos tempos até à data da realização do álbum. A segunda música, “The story in your eyes”, é um clássico na carreira de Justin Hayward.

O álbum tem outra particularidade: os elementos menos criativos da banda compõem neste álbum as suas  melhores músicas:


Nice to be here  de Ray Thomas, o responsável pelos instrumentos de sopro, explora com muito sucesso o ambiente romântico, tão característico das suas composições.



O baterista Graeme Edge compõem o fabuloso  after you came. Música é enérgica e poderosa como todas as que compôs. Não resisto e coloco 22000 days do álbum de  81, Long distance voyager, um álbum que tem dividido a opinião de muita gente.


My song, do teclista Mike Pinder, fecha o álbum, onde evidencia toda a sua apetência para a sonoridade sinfónica que foi emblemática do Moody Blues no seu período aureo, muito fruto da utilização dos Mellotrons ( o antecessor dos sintetizadores).


Ainda do álbum “Every good boy…”, deixo Emily’s song. John Lodge compô-la para a recém-nascida filha. Eu dedico-a à Mafalda e à Cátia,  com votos de muitas felicidades para os respetivos bébés.


Por fim, uma das melhores canções que Justin Hayward compôs. Question, do álbum A question of ballance. ( Para uma exelente canção, um fantástico video. Não deixem de o ver.)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Maggie Reilly

Maggie Reilly (esta é para o Inspector Frederico)

A escocesa Maggie seria  mais uma vozinha bonitinha, conhecida apenas localmente, não  fosse um dia ter-se cruzado com um génio.  E a vida tem destas coisas: vá-se lá saber a razão deste rapaz ter apostado na Maggie em vez da sua irmã Sally ( MirrorsMorning of my life) ou, para mim um enigma ainda maior, a Miriam Stockley ( adagioeternalperfect dayspoken word) .

Decorria o ano de 82, o génio já nos tinha presenteado com 3 maravilhosas pérolas, quando decide lançar um álbum, onde a par de uma longa canção (20 minutos – em linha com o que tinha feito até então) compõe  canções curtas, simples, vocalizadas e que ficassem bem no ouvido do grande público. Este descarado piscar de olho a um pop fácil ficou longe das expectativas, mas, para a Maggie, five miles out, tornou-a muito conhecida.

Em 83 o génio tenta retomar a mão, lança outro álbum estruturalmente semelhante ao anterior (uma canção com mais de 20 minutos e quatro outras com tempos standard) mas com composições mais fortes. Curiosamente chamou-lhe “Crisis”. Foreign affair, a quarta faixa do álbum, lança decididamente a nossa Maggie para a fama.  Quanto ao mega êxito, deixo-o para o fim desta crónica.

No ano seguinte o génio regressa com novo álbum, porém longe do fulgor do anterior. A nossa Maggie, com to France, mantém o astral em alta, e o razoável  trick of the light  também deu uma ajudinha.

E por aqui se ficou a colaboração destes dois personagens tão diferentes entre si.

Não restou outra alternativa à pobre Maggie senão fazer-se à estrada.  Mais não conseguiu mais que  lançar dois álbuns  medianos, cheios de baladas pouco inspiradas ( everytime we touchwaitwild mountain thyme,follow the midnight sun)

Mas é o mega êxito   Moonlight  shadow de Mike Oldfield  que catapulta a nossa Maggie para o estrelato ( e justifica que escreva este artigo ), colocando-a a par de grandes nomes do rock. 

Por mim, continuo a questionar-me: porquê a Maggie? Porque não a  Miriam Stockley?  Ouçam-na neste Moonlight shadow e digam se não tem muito mais força?

E já que estamos deliciados com esta maravilhosa música, deixo-vos um vídeo da minha coleção particular (não o encontram no youtube…). Mike Oldfield ao vivo em Berlim. Moonlight shadow e, sim, outra vez com a Miriam Stockley, para nosso contentamento.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Joan Armatrading


A caribenha Joan Armatrading, filha de um carpinteiro e de uma mulher a dias,  engrossa uma longa fila de talentosos músicos que nasceram pobres e subiram a pulso.

Apesar de ter iniciado a sua carreira em 67, os primeiros sucessos, Love and affection, e down to zero, surgem apenas em finais dos anos 70.

É na década seguinte que  conhece o maior êxito, fruto  dos super êxitos Me myself I, All the way from america, drop the pilot e The weakness in me.

Para mim,  Willow, coloca Joan Armatrading num patamar de excelência que apenas muito pouca gente consegue lá estar.



segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tanita Tikaram



Em finais da década de 80, uma bonita jovem de delicados traços e voz bem moldada, lança “Ancient Heart”, um dos mais  inspirados LP  de 88, repleto de magníficas canções: Good tradition ou World outside your window são dois bons exemplos. O grande êxito do álbum (e de toda a sua carreira) foi  Cathedral song . Zélia Duncan fez um cover da canção ( Catedral ) e conseguiu triplicar as vendas do original.  Para mim, o fantástico Twist on my sobriety é a melhor canção do álbum.

Depois parece que a inspiração secou à bela Tanita. Reapareu apenas  esporadicamente nos 7 álbuns seguintes. Dos 25 anos de carreira que a moça já leva, salvam-se apenas  And I think of you, Yodelling song, Only the ones we love  e o depressivo mas belíssimo I  might be crying.

 Como que a desmentir o que acabei de escrever, Tanita Tikaram regressa com o inspiradíssimo Something new.