Devo
confessar que Justin Hayward é, desde a minha tenra adolescência, um dos meus
favoritos. E sempre achei que tem sido um dos nomes esquecidos nas listas top
que as revistas de especialidade
costumam elaborar, seguindo critérios pouco objetivos. Para mim e ele é
um dos maiores cantores, compositores e guitarristas que conheço.
A história
do inglês Justin sempre me fascinou: começou a tocar uma Gibson 335 aos 13 anos
(até hoje, nunca mais a largou) e, dois
anos mais tarde, criava o seu próprio grupo.
Em 66,
respondendo a um anúncio, foi contratado por um obscuro grupo, apesar de recém
criado, estava já em franco declínio. No anuncio, procurava-se um guitarra solo
e um baixista (a vaga do baixista foi
para John Lodge). Sob a influencia de Hayward e Lodge (passaram a ser os
principais compositores) , este desconhecido grupo lança, em 67, Days of
future passed, um marco na
história do rock.
Este álbum,
o primeiro álbum conceptual na história do rock ( “Uma jornada comum da
existência humana, do nascer do dia ao pôr do sol”), é igualmente o primeiro
que alia ao rock uma estrutura clássica na composição das suas músicas, e foi
acompanhado por uma orquestra. A par de
excelentes canções, uma dela, de autoria de Hayward, revelou-se um dos maiores
sucessos de todos os tempos. Mas sobre
ela, falamos no final deste texto.
Após o
retumbante sucesso alcançado, no ano seguinte voltam a surpreender com o
fantástico In
search of the lost chord. Neste, a banda toca todos os 33
instrumentos, num “concept álbum” que aflora temas como a procura, a descoberta
e a filosofia ao longo dos séculos.
Para mim, e
apesar de ninguém ter perguntado a minha opinião, Every good boy
desserves favor é o meu favorito. O álbum inicia-se com duas
músicas que estão ligadas: a primeira, “Procession” ( co-escrita pela banda),
pretende relatar a história da música desde os primórdios dos tempos até à data
da realização do álbum. A segunda música, “The story in your eyes”, é um clássico
na carreira de Justin Hayward.
O álbum tem
outra particularidade: os elementos menos criativos da banda compõem neste álbum
as suas melhores músicas:
Nice to
be here de Ray Thomas, o responsável pelos
instrumentos de sopro, explora com muito sucesso o ambiente romântico, tão característico
das suas composições.
O baterista Graeme Edge compõem o fabuloso after
you came. Música é enérgica e poderosa como todas as que compôs. Não
resisto e coloco 22000
days do álbum de 81, Long
distance voyager, um álbum que tem dividido a opinião de muita gente.
My song, do teclista Mike Pinder, fecha o
álbum, onde evidencia toda a sua apetência para a sonoridade sinfónica que foi
emblemática do Moody Blues no seu período aureo, muito fruto da utilização dos
Mellotrons ( o antecessor dos sintetizadores).
Ainda do
álbum “Every good boy…”, deixo Emily’s song.
John Lodge compô-la para a recém-nascida filha. Eu dedico-a à Mafalda e à Cátia, com votos de muitas felicidades para os respetivos
bébés.
Por fim, uma das melhores canções que Justin Hayward compôs. Question, do álbum A question of ballance. (
Para uma exelente canção, um fantástico video. Não deixem de o ver.)